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domingo, 17 de julho de 2011

Manhãs de sábado, noites de sexta.

Eu odiei as manhãs de sábado. Principalmente as manhãs de sábado de verão. Principalmente aquela manhã de sábado, daquele verão. O problema é que todo ano aquela manhã se repetia, e aquele sentimento se repetia junto. Mas eu confesso que na última vez que se repetiu... Na verdade não se repetiu. Foi diferente. Vou contar detalhadamente o que houve naquela manhã de sábado daquele verão.
Era o dia do meu casamento. Véu, grinalda, daminhas, alianças, igreja. Tudo aquilo que eu sonhava desde pequena: eu ia me sentir princesa por algumas horas. O casamento seria pela manhã, tudo estava perfeito, eu tinha um vestido novo, um véu usado, uma liga azul e emprestada. Tudo para dar sorte; mas a sorte não veio. Bom, os convidados estavam dentro da igreja, ansiosos, não mais que eu, para a cerimônia. Minhas madrinhas cochichavam e andavam de um lado para o outro, umas usavam o celular, outras saiam da igreja com a preocupação estampada na face. Depois de muito esperar, vários convidados saiam da igreja e olhavam da minha direção com pena de mim. Eu virei para minha melhor amiga, e antes que pudesse falar qualquer coisa ela disse:
-Ele não veio, sinto muito.
E foi uma veza história daquele sábado de manhã daquele verão. Toda vez que chegava essa data, a tristeza me corroia por dentro, me deixava triste, me deixava fraca. Até que uma pes-soa chegou pra quebrar o que eu chamo de maldição da tal data. Vou contar o que aconteceu, em outro sábado de manhã de outro verão.
Era aquele sábado em que os sentimentos voltavam e eu estava em pé na praia, olhando o horizonte. Em pé. Apenas olhando. Eu não encarava as pessoas, nem se quer me importava com elas, mas eu sentia seus olhares curiosos em minha direção. A única olhar que eu senti outra coisa sem ser curiosidade, foi o olhar dele. Ele não me encarava. Ele estava em pé, ao meu lado, olhando exatamente pra onde eu olhava. Eu me virei pra ele e perguntei:
-O que você vê?
-No mar eu vejo nada. Nos seus olhos eu vejo muita coisa.
-O que, por exemplo?
-Talvez tudo. Ódio, rancor, mágoa, tristeza, dor de um abandono, vontade amar. –uma pausa –E agora eu vejo seus olhos marejados, por favor, não chore. Seus olhos ficaram lindos quando você chorou, eu não nego, mas você terá de secar as lágrimas e esconder a beleza deles, portanto não chore. Deixe-os como estavam.
E assim ele se apresentou como um desconhecido. Trocamos telefones, e-mails, endereços, e assim ele se apresentou como meu colega. Encontrávamos-nos com muita freqüência e assim ele se apresentou como meu melhor amigo. Ele me chamou para um encontro, e ele se apresentou como meu namorado. E naquela manhã de sábado de outro verão, ele se ajoelhou se apresentando como meu noivo. E em uma noite de sexta-feira do inverno daquele ano, ele se apresentou duas vezes: como meu marido e como o amor da minha vida.

Texto: Claudia Modena

domingo, 10 de abril de 2011

Sonho Utópico -por Claudia Modena

Na minha aula de música me perguntaram se eu tinha um sonho, eu pensei por um instante e respondi que sim. Depois me perguntaram se eu me achava capaz de realizá-lo, eu não soube o que responder porque eu tinha muitos sonhos, alguns quase impossíveis, outro nem tanto. Então eu me perguntei qual a razão das pessoas sonharem.
Em um primeiro momento nada me veio a cabeça, até me lembrar dos meus tempos de infância quando eu sonhava em ser uma princesa que morava em um castelo onde meu herói (que era meu pai) ia me salvar; lembrei de quantas vezes, quando estava mais velha, sonhei em arrumar um namorado que segurasse minha mão e me dissesse o quanto me amava, sonhava com isso durante as aulas chatas da escola quando me pegava aos devaneios com cara de apaixonada querendo ser feliz...
Era isso! A verdadeira razão das pessoas sonharem é fugir da realidade com o desejo de serem felizes, pois quando sonhamos entramos em um mundo que pertence apenas a nós e somos impulsionados a transforma-los em realidade.

Texto por Claudia Modena.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Hoje não escrevo

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

(...)

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 14 de março de 2011

Velhice. pt II

Você já se imaginou nos seus últimos momentos de vida você vai estar deitado(a) numa cama de hospital, e não aguentando mais a dor que você sente e o amor da sua vida segura sua mão, da mesma maneira que ele(a) sempre segurou quando os dois ainda eram dois jovens amantes, te olha nos olhos quase com lágrimas no rosto, e diz que te ama, você responde que nunca sairá dos pensamentos dele e ainda assim juram amor eterno?

Texto: Claudia Modena

domingo, 13 de março de 2011

Velhice.

Para as mulheres.

Você já parou pra pensar no futuro? Já se imaginou com oitenta anos junto com o amor da sua vida? Vocês dois, velhinhos, a primeira pessoa que você vê de manhã é ele, aos domingos os filhos vão para o almoço e você dá um doce a mais escondido para a sua neta. No quintal seu marido empina pipa com seu neto, os dois se divertem. Na sala seus filhos conversam, falam sobre as crianças, o trabalho, tudo. Você está encostada na parede, seu marido chega de vagar, te abraça como nos velhos tempos, e os dois possuem o mesmo olhar: o de orgulho.

Para os homens.

Você já parou pra pensar no futuro? Já se imaginou com oitenta anos junto com o amor da sua vida? Vocês dois, velhinhos, a primeira pessoa que você vê de manhã é ela, a mulher da sua vida. Aos domingos a família vai para o almoço. Você está no quintal empinando pipa com o neto, enquanto ele corre você vê sua esposa dando um doce a mais para a netinha. Escuta as risadas na sala e resolve entrar. Vê sua amada na parede, apenas sorrindo e observando. Ele repete o mesmo gesto que fazia em sua juventude e chega por trás dela de mansinho e a abraça. E os dois possuem o mesmo olhar: o de orgulho.

Texto: Claudia Modena

l'amour.


Amar uma pessoa significa querer envelhecer com ela. - Albert Camus

sábado, 12 de março de 2011

meu amor.



É muito fácil falar "eu amo música". Mas poucos realmente sentem esse amor. Quando se ouve a música ela é apreciada, quando se toca a música, ela é sentida.
Eu, por exemplo, quando toco violino o mundo todo fica em silêncio: é apenas eu e a música. Ela entra pelos meus ouvidos e percorre todo o meu corpo, me deixando extasiada.
É como se fosse uma religião.